Sexo não é apenas sexo

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Sexo não é apenas sexo…

 

“…Sexo é esporte, sexo é escolha… Sexo é imaginação, fantasia…”

Sexo não é apenas sexo, mesmo quando é feito sem amor é muito mais do que vontade. E contrariando Rita Lee, sexo não vem dos outros e vai embora, vem de nós e mais que demora, é pra sempre.

A sexualidade humana adulta não é livre a priori. Ela é refém das nossas culturas, crenças e recalques.

Numa transa ninguém sai ileso. Cada experiência olfativa, táteis, gustativas, visuais e sensoriais marca uma inscrição única. Cada transa sustenta a construção psíquica que tenta dar conta desse movimento invasivo de penetrar e ser penetrado, dar e receber.

Mesmo nos tempos atuais de liberação sexual ainda encontramos algumas falências sexuais impeditivas ao gozo, ao prazer e a realização da completude.

Falo de mulheres e homens que encobrem e se envergonham da sua dificuldade orgástica como se fosse um pecado não tê-lo ou simplesmente falar sobre suas intimidades nuas e cruas.

Essa cobrança dos tempos do prazer não poupa nenhuma faixa etária: as crianças, (sim porque até os bebês já possuem sexualidade) para serem pop star vestem-se como adultos erotizados e dançam coreografias que simulam o prazer do ato sexual; jovens que se iniciam sexualmente cada vez mais cedo para sentirem-se valorizados e adultos que para serem atletas sexuais e manterem uma vida sexual ativa na terceira idade, iniciam uma maratona da vida saudável, importando-se mais em preservá-la do que sentir os momentos de prazer com maior qualidade.

Na época de Freud impedir o encontro com a sexualidade era o que levava às disfunções sexuais. Hoje é o excesso da sexualização veiculado pela mídia, proferido por qualquer boca, pela exigência, por hora, das mulheres que exigem o direito do orgasmo e sentem-se obrigadas ao chegar ao gozo, acaba colocando em “xeque” a virilidade. Virilidade esta, que pode ser comparada e propagada onde e quando bem entenderem, já que agora se apresenta desvinculada da ética velada pelo(a) companheiro(a) ou do profissional do sexo.

Mesmo com a mulher deixando para trás o lugar, somente de procriadora e objeto de prazer masculino, e de sabermos que existe ainda uma diferença entre o que homens e mulheres desejam

consciente ou inconscientemente de uma relação sexual, encontramos muitas pessoas procrastinando o direito ao prazer para não serem desvelados.

Todos têm direito ao gozo e devem buscar ajuda profissional, seja de sexólogos, médicos ou psicólogos. As causas orgânicas, tanto para homens quanto para mulheres, são raras.

O ato sexual não se refere apenas ao sexo, vai muito mais além. A forma de se relacionar sexualmente esta intimamente associada à forma que o indivíduo se permite viver e se colocar no mundo. Ao quanto ele(a) consegue se entregar, se permitir estar indefeso e confiar no outro. Se mostrar. Não apenas o corpo nu, mas as suas fragilidades, seu Ego, seu Eu. O sexo esta vinculado aos complexos de cada um, as crendices sociais e mitos que durante a vida construíram para si, na maioria das vezes minando a auto-estima, privando-se do direito da troca em dar e receber, estabelecendo um ciclo vicioso difícil de ser quebrado.

Quase 30 % das mulheres possuem alguma dificuldade sexual, porém apenas 5% procuram ajuda. Quando falamos sobre as disfunções sexuais masculinas relacionadas à dificuldade na relação, esse número quase dobra, saltando para 47% dos homens com menos de 60 anos. Acima dessa idade, (sim idosos também podem ter vida sexual ativa) por um motivo ou outro 60% dos homens não demonstram interesse sexual. Mas como disse antes, sentir prazer e relacionar-se sexualmente é um direito de todos em todas as idades, considerando a maturidade sexual de cada faixa, sendo legítima a busca de ajuda profissional e em nada devem se envergonhar.

Viva o prazer! Viva o direito de dar e receber!

Viva o direito de se entregar e de confiar sem se arrepender!

Créditos:

Autoria do texto: Ana Beatriz Cintra

Psicóloga Clínica e Palestrante
CRP 06/66071

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